E por que aprendemos inglês mesmo?

23/08/2017

O ensino do inglês no Brasil permeia por diferentes abordagens e metodologias. Os institutos de idiomas tem um viés linguístico e também comercial. Enquanto a maioria das escolas regulares trata (e sempre tratou) o inglês como só mais uma matéria escolar. Com uma visão bem conteudísta, o inglês é (e sempre foi) visto como um conjunto de regras gramaticais e palavras descontextualizadas. Nessa visão, o aluno é testado pela sua competência em decorar categorias de vocabulários e regras e aplicá-las em um teste escrito. O foco é a leitura e as respostas de exercícios mecânicos de completar frases desconexas.  Essas aulas, bem formais e nada comunicativas, são salvas em raros momentos em que uma música é trazida para as aulas.

A partir de 1980, a abordagem comunicativa (Almeida Filho, 2005) apontou caminhos para um ensino de inglês com um viés mais dinâmico e que fizesse mais sentido para os alunos. Tal abordagem fazia oposição aos métodos áudio-linguais. Como o nome já sugere, “o método visa o desenvolvimento da competência comunicativa na língua estrangeira, ou seja, a capacidade do aluno de interagir em situações reais de comunicação, fazendo uso do idioma-alvo.” (Dörthe, 2008).

E a partir de então tivemos mudanças na perspectiva de ensino de uma segunda língua, principalmente nos cursos de idiomas. Mas o que realmente mudou nas aulas de inglês das escolas regulares? E como as escolas podem inovar se o objetivo final ainda for o vestibular? E como tratar o ouvir e falar em inglês em uma sala de 30 alunos? Esses são alguns dos desafios que os professores de inglês têm na sua trajetória docente.

Mas o desafio que trago aqui é pensarmos: o que é o inglês? E para que aprendemos (ou deveríamos aprender) essa segunda língua?

Seguindo uma perspectiva inovadora a língua é mais que um conjunto de regras gramaticais e palavras, é um jeito de pensar que agregamos ao nosso “eu”. Essa nova possibilidade de pensar e de ver o mundo já faz parte do nosso dia a dia; está nos nossos “gadgets”, tv, outdoors, etc. Ela está o tempo inteiro conosco, sem muitas vezes percebermos. Então não precisa ser imposta como uma supremacia. A língua inglesa pode ser ensinada de uma forma interativa a partir do interesse dos próprios aprendizes. Pode ser vivenciada com dinâmicas diferentes. A prioridade deveria ser sempre o ouvir e falar nessa língua, para que os aprendizes possam participar de uma conversa naturalmente e, assim, desenvolver o tão “almejado” pensar em inglês. Os aprendizes deveriam também conseguir se expressar sobre suas preferências, interesses, gostos, sua cultura e suas opiniões e ideias, sem que pareçam robôs. Afinal, não é para isso que aprendemos inglês?

 

UPHOFF, Dörthe. “A história dos Métodos de Ensino de Inglês no Brasil”. In: BOLOGNINI, Carmen Zink. A língua inglesa na escola. Discurso e ensino. Campinas: Mercado de Letras, 2008, p. 9-15.

ALMEIDA FILHO, José Carlos Paes de (2005). Lingüística aplicada, ensino de línguas & comunicação. Campinas: Pontes.

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